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Novos Passos - Fabricantes
General Motors e FNM

General Motors


A segunda grande montadora e depois construtora de automóveis e caminhões a se instalar no Brasil foi a General Motors do Brasil S/A, que em 1925 inaugura sua linha de montagem, também em São Paulo. Em 1953, a GM adquire, no município de São José dos Campos, SP, uma gleba de quase 70 alqueires paulistas, para nesse local construir inicialmente a fundição de motores. A produção brasileira começou em 1957, com caminhões e automóveis.

Assim como no caso da Ford, tivemos muitos ônibus GM (principalmente Chevrolet) trafegando em nossas cidades e estradas, todos montados sobre carrocerias de caminhões. Tivemos também belos ônibus rodoviários importados, como os célebres Parlour Coaches, nas linhas Rio-São Paulo e São Paulo-Santos. Em 1947, foram construídos os urbanos GM Coach, muito usados em nossas ruas. Foram, talvez, os primeiros monoblocos construídos no Brasil. Os chassis de muitos deles ainda podem ser encontrados circulando, com carroceria chamada "vilarinho", como trólebus construídos pela antiga CMTC.



FNM – FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES


No princípio de 1942, em plena guerra, é feito um acordo nos Estados Unidos, com a Wright Aeronautic Corporation, para a fabricação, no Brasil, dos motores Wright para aviação, de 225 e 450 cv de 7 e 9 cilindros. O acordo foi assinado pelo Coronel Antônio Guedes Muniz e a fábrica começaria a funcionar em agosto do mesmo ano, com o nome de Fábrica Nacional de Motores (FNM).

Vários engenheiros brasileiros estiveram nas fábricas Wright, durante oito meses, estudando os detalhes de produção. Em contrapartida, viriam trabalhar na fábrica brasileira cerca de quinhentos operários preparados em escolas especiais, de acordo com os métodos utilizados pela Wright.

Entretanto, o desenvolvimento técnico provocado pela conflagração mundial em pouco tempo tornou superado o tipo de motor que a empresa fabricava. Junte-se a isso o término da guerra em 1945, provocando a falta de procura desse tipo de material. Em conseqüência, em 1947, a FNM constituiu-se em sociedade de economia mista, e começou a dedicar-se à fabricação de geladeiras e à revisão de motores.

Em janeiro de 1949, acertou contrato com a Automobile Izota Fraschini, da Itália, para a fabricação de caminhões o I.F.D80 e seu motor diesel de 100 HP. Representaram a FNM e a Izota Fraschini, respectivamente, o Sr. Benjamjm do Monte e General Carlo Matteini.

Esse contrato celebrado com a firma italiana previa um fornecimento inicial de unidades desmontadas em peças, permitindo a fabricação progressiva de peças no Brasil. Assim, em fins de 1949, o primeiro caminhão FNM, conhecido como R-80, foi construído, baseado em projetos e desenhos da Izota Fraschini. Mas não durou muito a sociedade e pouco tempo depois o contrato é rescindido por dificuldades financeiras da firma italiana. Cerca de 200 veículos chegaram a ser montados.

Em 5 de julho de 1950, foi assinado o primeiro contrato com a Alta Romeo de Milão, tendo a FNM começado a fabricar um modelo básico da Alta Romeo, usando 31% de produtos nacionais dentro de dois anos.

Os componentes nacionais foram se incrementando gradualmente e, quando o modelo pesado diesel d-1100 foi anunciado, em 1957, era totalmente nacionalizado.

Em 1959 a FNM iniciou a fabricação de ônibus, utilizando conjunto de caminhões. Foi também experimentado um modelo de ônibus monobloco, com motor traseiro, sem muita saída.

Daí em diante foram fabricados grande quantidade de caminhões, mas com o início da concorrência da indústria automobilística nessa época, a produção foi diminuindo, e em 1967 a FNM vinha operando com apenas 38% de sua capacidade real. Mesmo assim, em março de 1971, entra em fase de comercialização o V-15, novo chassi FNM para ônibus. Era equipado com motor traseiro de 196 HP a 2.200 rpm e 72 kgm a 1.300 rpm. OV-15 era um chassi longo (11,16m de comprimento), com cinco marchas sincronizadas, direção hidráulica, distância entre eixos de 6m e pesando 5.160 kg.

De 1957 a 1967, a FNM havia produzido um total de 1.866 chassis para ônibus. Em fins de 1976 foi colocada à venda, sendo adquirida pela Fiat Diesel do Brasil que logo elaborou um veículo por desenho Fiat, o FNM 210/S, compreendendo 4,5 toneladas. O modelo mais leve tinha um motor diesel de 5 litros, 4 cilindros e 5 marchas na transmissão. O modelo intermediário possuía motor diesel 7,4 litros, 6 cilindros e 5 marchas. O modelo pesado, motor diesel 13,8 litros, 6 cilindros e 12 marchas na transmissão.

A Fiat-FNM produziu, até 1983, um total de 1.032 chassis de ônibus. Em 1985 encerra suas atividades no Brasil.

Fonte
Ônibus: uma história do transporte coletivo e do desenvolvimento urbano no Brasil
Autor Waldemar Corrêa Stiel
São Paulo: Comdesenho Estúdio e Editora, 2001





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